"Olá Esperança,
Em primeiro lugar eu agradeço a todos os irmãos da
Esperança, e em especial a minha comunidade pela generosidade, sem o
auxílio e a ajuda financeira de todos eu certamente não teria ido a
Madrid. Vocês foram de um carinho e zelo inigualáveis, e creio que
muitos outros jovens experimentaram algo semelhante, e digo com todas as
palavras: vale a pena arriscar e apostar em um jovem quando ele se
propõe a peregrinar, não digo tanto por mim, mas pelo que eu pude
presenciar.
Passamos e vimos uma Europa envelhecida e carente de
amor, do amor de Deus, e foi para isso que fomos a Jornada, para
anunciar o amor de Jesus Cristo; dentre todas as missões eu destaco
Villalba e Lugo, ali fomos colocados na fogueira, tivemos uma Eucaristia
na paróquia que possui o Caminho (com apenas duas comunidades) e depois
saímos para anunciar e entregar os convites para catequeses naquela
paróquia. Pessoalmente experimentei meu maior “tropeço” da Jornada, na
verdade eu interpretei como um sinal de amor de Deus que me mostra a
realidade, pois bem, sai com o Robert para anunciar e só pegamos
pedreira, daquelas difíceis, pessoas muito duras, alguns revoltados com a
Igreja, uma testemunha de Jeová que me destruiu no sentido que detalhou
a Bíblia de cabo a rabo e eu não tive resposta. Eu jamais tinha pego
tamanha resistência, mas vi também que foi bom para mim, que não sou eu
que faço a obra senão o Senhor, ele só queria que eu estivesse ali e
morresse um pouco. Foi excelente a experiência.
Uma coisa que me
marcou muito foi em um dia que celebramos as laudes na paróquia de São
José, uma das primeiras paróquias a receber o Caminho, a comunidade um
terminou o caminho tem uns vinte anos; estávamos lá e eles possuem umas
salas de celebração como as que temos na Esperança, a diferença é que o
Kiko pessoalmente pintou os ícones que estão nas paredes, eu estava
sentado e olhava para as pinturas e ficava pensando da onde Deus havia
me tirado, toda a minha vida, as coisas pelas quais eu ja tinha passado,
a vocação, o seminário, e de repente me veio que tudo era verdade, tudo
que os catequistas haviam dito, todas as promessas, o cem por um, e que
aquela sala fazia parte da minha historia, que ali tudo havia começado.
Era como se eu tivesse, por um instante, avistado a Terra Prometida,
não que eu estivesse pronto para entrar, mas que era verdade, ela
existia, não era mentira, e que eu poderia tocá-la. Foi algo
impressionante, me emocionei muito, chorei um bocado, lágrimas de
alegria, de ter podido contemplar que o Caminho, que a Igreja, que a
minha vida são coisas concretas e que Deus esta ali.

Ter
estado junto do Papa e ver que foi Deus que o escolheu para estar ali,
não porque seja isso ou aquilo como muitos dizem, mas de verdade porque
ele é um pastor que não abandona o rebanho do Senhor, ter pego um calor
insurportável, depois agüentado uma tormenta e por amor a tantos jovens
ali presentes não foi embora, permaneceu conosco, sofreu conosco, se
este homem fosse um tolo ou não soubesse o que é a cruz, não estaria lá.
A Igreja possui um santo como Papa, um verdadeiro pai que mirando a
Cristo não desiste, me recordo da ultima imagem de João Paulo II, quando
não podia falar mas fez questão de aparecer na janela para estar com os
jovens, para denunciar ao mundo que não abandonaria a cruz e que o que é
escândalo para o mundo é motivo de Glória para Deus, assim foi Bento,
ao permanecer conosco todo o tempo.
E a ultima coisa da Jornada,
todas as manhãs tínhamos que buscar o café da manhã em um parque, em um
dos dias cheguei perto de um trailer para ver a televisão que passava o
resultado dos jogos de futebol, nisso se acercou um senhor, puxou
assunto e me disse chamava José. Esse senhor não só me esperava todos os
dias no mesmo horário como no ultimo dia me convidou a sua casa e me
deu várias lembranças do bairro para que eu o tivesse sempre na
recordação. O curioso é que em momento algum eu anunciei ou disse algo
mais profundo sobre fé, mas ele dizia que estava tão contente de ver
tantos jovens em Madrid que já não podia ficar em casa, ele queria ver
os jovens face a face para dizer-lhes: “Gracias”, ou seja obrigado por
terem vindo até aqui para trazer alegria a este país, a esta cidade, a
este bairro, e me dizia com lágrimas nos olhos. Foi por isso que saímos
de nossas casas, de nosso pais, da segurança, do conforto, etc, para
levarmos o que recebemos aqueles que já perderam.
Em falando de
comunhão, tenho que exaltar o zelo e amor com que os responsáveis
derramaram sobre todos nós, em primeiro lugar ao José Ramom, que ainda
passando uma turbulência familiar, levou o barco como se fosse uma
capitão com muitos anos de mar. Carinhoso, respeitoso, duro quando
necessário, profético, um catequista de primeira grandeza e por fim, um
pai, que a Virgem de Fátima lhe conceda todos os milagres que lhe cabem.
Claudio
e Selene se doaram completamente, seja pré Jornada como pós Jornada,
seguraram a peteca todo o tempo e permitiram que a Esperança estivesse
sempre presente.
Padre Fredy que foi um pastor e tanto, o diferencial
que necessitávamos em uma peregrinação. E todos os jovens, que pasmem
senhores pais e mães, estão amadurecendo, não deixando de dar dor de
cabeça ou deixando de merecer um “sapos”, mas mostraram nas ruas na hora
de anunciar uma coragem que a mim faltou em muitos momentos. Essa
geração esta florescendo muito mais alegre e formosa que as anteriores,
seja por uma comunidade do Samba, seja por jovens a mais tempo que
mantém um equilíbrio.
Foi possível ver jovens se preocupando um com o
outro, ver que quando uma irmã ou irmão passam mal os outros se
preocupam e até lágrimas são derramadas em atenção ao sofrimento do
outro, e quando recuperados, todos partilhamos sorrisos e gargalhadas.
Aprendemos que alguma coisa “no é para comer!”. Aprendemos um pouco de
espanhol, alguns mais, principalmente aquelas que cantam, ou que são
cantadas. Até de um motorista com cara fechada recebemos carinho, sempre
preocupado conosco, dando dicas e ensinando o caminho das pedras em uma
grande cidade, e porque? Porque em uns jovens barulhentos de uma cidade
esquisita chamada Brasília, de um país distante chamado maravilhoso,
quero dizer Brasil, ele pode enxergar que Cristo é muito mais que apenas
um nome.
A mim foi mais difícil dizer até logo após o encontro com o
Kiko do qualquer outra coisa, pois a Esperança é sempre a ultima a
chegar e a única que não vai embora. Um grande abraço a todos e que a
Paz de Cristo esteja com vocês.
Antes que eu esqueça, quando será a próxima Jornada Mundial da Juventude?
E aonde será a próxima Jornada Mundial da Juventude?"
Lucas Sales, paroquiano que está no Seminário Redemptoris Mater em Dallas, EUA.
Depoimento dado à Paróquia Nossa Senhora da Esperança
Mayara Costa
Grupo de Jovens Unac
Paróquia São Judas Tadeu