“Sim, Deus é bom... Mas quase tropeçaram meus pés, por um nada vacilaram meus passos. Pois comecei a ter inveja dos arrogantes, vendo a prosperidade dos maus.” (Sl 73,1-3).
Nesse Ano da Fé, me comprometi a fazer do livro dos Salmos um poderoso auxilio para rever meu caminho de fé e oração.
Iniciei pelo Salmo 73. Ele sempre me questiona. Vemos retratado nele uma cena comum. Falo daquele sujeito que se aproxima e diz: “Padre, eu perdi a fé, pois olho à minha volta e vejo que alguns que não merecem se dão bem, enquanto, tantos bons sofrem neste mundo”.
O Salmista fala a mesma coisa. Ele nos conta que renegou Deus por começar a invejar a prosperidade dos maus. Ele os viu ricos, sadios, populares (Cf. vs. 1-12), enquanto ele mesmo padecia de grandes males. Quase desistiu de ser bom. Até que entrou no santuário e entendeu, ou melhor, lançou-se na fé, percebendo em seu interior a presença de Deus que o confortou e o fez caminhar (cf. vs. 17ss).
Nossa fé encontrará desafios pela vida. Nem sempre entenderemos. Somos confrontados constantemente pelo mistério do bem e do mal. O Beato João Paulo II sublinhou na Tertio millennio adveniente, 50 que “a maldade humana, suscitada pelo poder do maligno ou por sua influência, se apresenta também em nossos dias de forma atraente, seduzindo as mentes e os corações, levando a perda do sentido mesmo do mal e do pecado. Se trata do “misterium iniquitatis”, de que falou São Paulo (cf. 2Ts 2,7)”.
Recordo-me das palavras fortes do Papa Bento XVI ao visitar o campo de concentração de Auschwitz na Polônia em 2006: “Em um lugar como este desaparecem as palavras; um profundo silêncio cai sobre nós, um silêncio de contemplação, um silêncio que é um grito interior dirigido a Deus:´Por que Senhor, calastes? Por que Senhor, tolerastes isto? Onde estava Deus nestes dias? Por que permaneceu calado? Como pode tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal?... Em silêncio nos inclinamos profundamente em nosso interior ante as inúmeras pessoas que aqui sofreram e morreram. Sim! Este silêncio se transforma em prece de perdão e reconciliação; um grito ao Deus Vivo para que não volte a permitir jamais algo semelhante. Contudo,sabemos que não podemos conhecer os segredos de Deus. Somente vemos fragmentos e nos equivocamos quando queremos fazer juízos de Deus e da história”.
Nestes momentos, devemos confiar em Deus que cuida de nós. Ele age mesmo quando não nos damos conta. Assim, o Salmo 73 termina dizendo: “Quanto a mim, minha felicidade é estar perto de Deus. Ponho no Senhor Deus o meu refúgio, para que eu possa contar todas as suas obras” (vs. 28). Pense nisso!
Fique na paz de Deus!
Pe.Vicente.bth
Vicentescj




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